Sejam bem-vindos (as) a uma parte da história na qual também faço parte! Ao narrar o passado da Lagoa Rodrigo de Freitas sem iluminar o capítulo profundo — e pouco assumido — das remoções que moldaram sua paisagem atual. Por trás do cartão-postal cintilante, há vidas, memórias e territórios que foram apagados para que outro projeto de cidade pudesse surgir. Desde o início do século XX, especialmente entre as décadas de 1940 e 1970, diversas comunidades que ocupavam o entorno da Lagoa foram removidas sob o discurso de “saneamento”, “modernização” e “valorização urbana”. Eram pescadores, trabalhadores humildes, descendentes de escravizados e famílias que haviam se estabelecido ali muito antes da elite decidir que a Lagoa seria um espaço de luxo. Comunidades como a Praia do Pinto, a Catacumba, Macedo Sobrinho, a Ilha das Dragas, a Ilha do Careca e outras menores tiveram suas casas desabadas diante do avanço de políticas que, ao mesmo tempo em que prometiam progresso, reforçavam a segrega