Patrícia Oliveira, em Entre rosários e bacamartes, revela-nos seu encontro com as mulheres do Arraial do Belo Monte, ao retirá-las do silêncio a que foram submetidas pela historiografia brasileira. Mulheres, que não só criaram como mantiveram o espaço comunitário e religioso do Arraial. A autora ao cruzar a análise de gênero com o de raça implicitamente aponta para um segundo silenciamento historiográfico, a racialização implementada pela República.
Ao questionar o paradigma epistemológico modernizante e funcional que encobriu e encobre os "outros" e nega identidades culturais preexistentes e existentes, convida seus futuros leitores e leitoras a terem presentes outras lógicas, que sejam capazes de assumir pensares, fazeres e saberes subalternos, periféricos colados à vida. A percepção da subjetividade das mulheres do Arraial, por parte da autora, trouxe consigo a constatação da ausência de lugar das mulheres nos trabalhos e discursos hegemônicos sobre Belo Monte de Antonio Conselheir