O CARVALHO E A MULEMBA

CARVALHO E A MULEMBA,O
isbn13
R$ 76,00

“Angola, a mais portuguesa de todas as colônias.” Nos três primeiros quartos do século passado, essa sentença foi utilizada à exaustão. Publicistas e viajantes, missionários e portugueses de toda sorte repetiram-na, por aprendizado ou crença. Observadores estrangeiros, entre cumplicidade e ironia, subsumiram-na do discurso daqueles. Por um lado, era uma fórmula de síntese, em que se condensavam duas narrativas: a de uma longa história de contato, que perdurou por um séculos, e a de uma breve história de presença, que não durou mais do que um punhado de décadas. Por outro lado, exprimia do medo particular ideias autodesdobramento e de incorporação, comuns à encenação do drama colonial em outros quadrantes africanos. Qual matrioska de palavras, encaixava corpos distintos no bojo dum corpo vazio. Passadas quase quatro décadas do termo do fato a que remetia, seus efeitos gerias ainda estão longe da total diluição. Em Portugal e em Angola, seus sinais, visíveis, estão um pouco por toda pa